Permear os caminhos da arte, é traçar um equilíbrio entre consciente-inconsciente,
matrizando as potencialidades e as limitações do Ser.
- Yasmin dos Anjos



A arte como terapia 2º Jung

Na década de XX a arte começa a ser contemplada como uma possibilidade de diagnostico e terapia. Carl Gustav Jung psicanalista considerado por Freud o herdeiro do movimento psicanalítico (SILVEIRA, 19981) passou a introduzir a arte como parte do processo psicoterapeuticos de seus pacientes.

Em 1907 Jung tem seu primeiro contato pessoal com Freud, mas por terem diferentes opiniões quanto à compreensão do funcionalismo da psique separam-se do grupo psicanalítico em 1912. Para Jung a psique é a personalidade em sua totalidade. A psique ou mente possui uma função auto-reguladora, manifesta de forma continua no processo de compreensão entre o consciente e o inconsciente, sendo percebida por intermédio dos sonhos e das imagens espontâneas. Expressa a totalidade dos processos psicológicos (SHARP, 1997), nos plano consciente e inconsciente, consiste em três níveis:

- Consciência, produto da percepção e da orientação no mundo externo que não se cria a si mesma, mas emana de profundezas e origina-se do inconsciente.

- Inconsciente pessoal, conteúdos reprimidos, lembranças perdidas, dados instintivos e criativos, experiências suprimidas, algumas facilmente trazidas ao conhecimento consciente e outras experiências de vida esquecidas por meio de mecanismos de defesa.

-Inconsciente coletivo, conteúdos arcaicos, elementos instintivos e criativos não acessíveis ao conhecimento consciente, exceto pela intermediação das imagens simbólicas. O conteúdo do inconsciente coletivo são os instintos e os arquétipos.

A psicologia Junguiana propõe-se ao incentivo e ensina como lidar de maneira benéfica com conteúdos internos do ser humano para um reequilibrio emocional, procurando uma linguagem expressiva própria de cada individuo, para que este possa entender seus conflitos e expressar suas emoções, assim como seus traumas e desejos.

A Arte terapia tem seu inicio a partir dos anos 40 com Margareth Naumburg, nos Estados Unidos, tendo influencia de Freud, Margareth trabalha então a produção da arte espontânea durante a psicoterapia baseando-se nas imagens espontaneamente projetadas nas produções gráficas e plásticas permitindo a expressão do inconsciente.

Segundo as idéias da época os pensamentos e os sentimentos mais fundamentais do homem, derivados do inconsciente, encontram sua expressão em imagens e não em palavras.

As técnicas da arte terapia se baseiam no conhecimento de que cada individuo, treinado ou não em arte, tem uma capacidade latente de projetar seus conflitos internos em forma visual. Quando os pacientes visualizam tais experiências internas, ocorre frequentemente que eles se tornam mais articulados verbalmente (NAUMBURG 1991, p.338).

Também podemos citar nesse mesmo âmbito outros autores que contribuíram para o enriquecimento terapêutico juntamente com a arte, dos quais Edith Kramer destaca-se com seus trabalhos na década de 50, também Françoise Dolto, trabalhando com crianças na década de 70. Jane Rhyne, introduzindo a concepção da Gestalt-terapia nos anos 70 e Natalie Rogers aplicando a concepção da teoria centrada na pessoa, desenvolvida por seu pai Carl Rogers, também na década de 70 (ANDRADE, 2000).

A arte terapia se diferencia dentro das modalidades terapêuticas, através de duas linhas distintas de atuação: Arte como terapia e Arte como psicoterapia.

Arte como terapia focaliza-se no processo artístico considerando suas propriedades curativas.

Arte como psicoterapia, os recursos artísticos são utilizados amplamente durante o processo psicoterapêutico, acrescentando a via imagética e pictórica na comunicação entre paciente e psicoterapêuta (nesse caso, com utilização de técnicas de artes plásticas). Nessa segunda linha de atuação, o fazer artístico ocorre dentro de um enquadre psicoterapêutico especifico, seguindo princípios, técnicas, embasamento teórico e objetivo que visam fundamentalmente o desenvolvimento emocional do individuo, repercutindo na ampliação de potencialidades criativas (ANDRADE, 2000).

Devemos deixar bem claro que a arte terapia não é uma pratica exclusiva do psicólogo, ela se expande á outros profissionais acadêmicos que tem se especializado nessa área, adequando suas técnicas de acordo com suas formações de origem.

No Brasil a introdução da arte no processo terapêutico, realizou-se junto com pacientes psiquiátricos, esses trabalhos foram realizados por Osório César em São Paulo e por Nise da Silveira no Rio de janeiro. Osório César, baseando-se no referencial freudiano, é considerado o precursor da perspectiva terapêutica da arte no Brasil. Sua pratica foi realizada com pacientes internos do Hospital Psiquiátrico do Juqueri e seu primeiro artigo sobre esse tema, datado de 1925, intitula-se: “A Arte Primitiva nos Alienados” (FERRAZ, 1998).

Podemos também ressaltar Nise Silveira que se baseando na perspectiva Junguiana desenvolve e coordena ateliês de arte com pacientes psiquiátricos, posteriormente ela publica duas obras dentro desse âmbito: “Imagens do Inconsciente” (1981) e “O Mundo das Imagens” (1992).

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